Episódio #13 – Entrevista com Edson Lopes, Diretor-geral da Flixbus

Descrição:

O B/Luz em parceria com Adriano Paranaiba produziu o minidoc Transportar é Preciso.

Nesta primeira temporada de 4 episódios, entrevistamos empreendedores que atualmente enfrentam o desafio de inovar em um dos setores mais regulados do país.

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As grandes barreiras à inovação no setor de transportes estão ligadas à regulação. Mas, regulação não é invenção brasileira. É perfeitamente possível inovar em mercados regulados. Por exemplo, as melhorias regulatórias a partir de 2013 na Alemanha trouxeram oportunidades para avanços no mundo dos transportes. Essas oportunidades foram aproveitadas pela FlixBus, que de lá para cá se tornou a líder em operações no mercado europeu. Um movimento similar de melhorias regulatórias tem ocorrido no Brasil desde 2019 e deve resultar em um ambiente regulatório mais estável e aberto à concorrência. Esse processo, por ter muitos envolvidos, é ainda muito lento, o que mantém os problemas no transporte brasileiro: alta concentração, baixa concorrência e preços altos.

 

Do ponto de vista macro, o setor rodoviário interestadual brasileiro pode parecer competitivo, já que possui mais de 200 operadores ativos regulares. Oportunidades de entrada e aumento de participação nos mercados, porém, não são caracterizadas dessa forma. Analisado corretamente, isto é, do ponto de vista micro, há pouca competição. Mesmo nas linhas que ligam as principais cidades brasileiras, o transporte é concentrado em poucos operadores.

 

Para mudar esse cenário, três pontos precisam sem considerados e implementados pelos policymakers brasileiros. O primeiro é aumentar a flexibilidade de rotas. Embora tenham ocorrido avanços em questões tarifárias, ainda é muito difícil adicionar e retirar linhas devido às exigências regulatórias. O segundo ponto é esclarecer os critérios de inviabilidade operacional econômica, que, por serem muito subjetivos, resultam em complexidade de julgamento. O ideal é que o conceito de inviabilidade operacional seja legado ao próprio mercado. O terceiro ponto é aumentar a flexibilidade em relação ao requisito de frotas e capital social. O rigor das exigências afasta pequenos empreendedores e causa concentração da oferta.

 

Esses pontos permitiriam a redução dos preços finais sem a perda de rentabilidade aos operadores e em um ambiente de segurança e qualidade. As tecnologias disponíveis permitem a operação rodoviária segura e lucrativa, na medida em que possibilitam, entre outras coisas, a localização em tempo real da frota, a previsão da demanda, o devido ajuste da oferta e a garantia de preços justos aos consumidores. A chave para um melhor transporte rodoviário está no potencial do Brasil, que possui um mercado de proporções continentais. Um ambiente regulatório verdadeiramente pró-mercado, preocupado de fato com a segurança no transporte, permitirá a entrada de novos concorrentes, o que melhora os serviços e reduz os preços. Em poucas palavras, mais concorrência significa uma vida melhor a todos os brasileiros.

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