Episódio #17 – O Modelo de Negócios da Buser

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Viajar de ônibus no Brasil é, na maioria das vezes, uma experiência difícil e ruim. Foi justamente a partir das experiências ruins de seus fundadores com viagens de ônibus, que surgiu a Buser, startup pioneira que inova no tradicional mercado de transporte intermunicipal e interestadual de ônibus.

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Viajar de ônibus no Brasil é, na maioria das vezes, uma experiência difícil e ruim. Isso afeta, especialmente, as pessoas mais pobres, que não têm condições de comprar carros ou viajar de avião e que, por isso, dependem do transporte rodoviário. É nesse contexto de descontentamento, e a partir das experiências ruins de seus fundadores com viagens de ônibus, que surge a Buser, focada no Brasil real, isto é, com o objetivo de chegar às classes mais baixas.

O principal problema é a falta de concorrência, que resulta em serviços ruins e caros. No transporte rodoviário, o que se observa é um mercado concentrado. Das linhas autorizadas pela ANTT, 65% tem apenas uma empresa operando, 20% tem duas empresas e 15% das linhas tem três ou mais empresas operando.

Movimentos regulatórios recentes têm causado avanços no TRIIP (Transporte Rodoviário Interestadual e Internacional de Passageiros), permitindo abertura da regulamentação, livre iniciativa, liberdade tarifária e modernidade no serviço. Esses avanços representam uma faísca de possibilidade de abertura comercial do TRIIP e essa pequena flexibilização já mudou o mercado e melhorou o serviço rodoviário, trazendo novos players e aumentando a concorrência. Um reflexo desses avanços é a chegada da FlixBus ao Brasil, concorrente da Buser. O pioneirismo da Buser no mercado brasileiro foi importante, mas a chegada de concorrentes traz ganhos para todos, principalmente para o consumidor.

No entanto, todo cuidado com a regulação e as políticas é pouco. Diferente da chegada de empresas de viagens compartilhadas e seu embate com os taxistas, o modelo da Buser enfrenta grupos econômicos estabelecidos no mercado há décadas. Essas grandes empresas não apenas sabem jogar o jogo político, mas são a política. Uma amostra desse poder político é vista em um caso recente de abuso regulatório. O chamado circuito fechado exige venda casada das viagens de ida e volta no serviço de fretamento, o que funciona como barreira à entrada de empresas no setor ao impedir que empresas de fretamento concorram com linhas regulares.

Para além das questões regulatórias, as perspectivas para o cenário brasileiro, do ponto de vista do mercado, são positivas. O retorno das atividades de turismo favorece o transporte rodoviário. O futuro do TRIIP promete um serviço mais barato, mais rápido e mais seguro, em um cenário em que as empresas lucram e os consumidores são mais satisfeitos.

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